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domingo, 7 de julho de 2013

ENCARE DE FRENTE A SUA LUTA...

“Encare a sua luta, seja ela qual for, meu amigo”. Não se deixe intimidar. A luta é fácil para os que não pararam para examinar lhe a causa, as dificuldades, refazer o rumo, corrigir o esforço e engrandecer a esperança, desabrochando a potência que é o valor de nossas vidas.
O pânico embota a mente, bloqueando lhe as possibilidades de pensar com serenidade.
A preocupação exagerada, a ansiedade, são fatores que tornam difícil qualquer ação equilibrada.
Desanuvie sua mente e pense que para Deus não há impossível.
Não se julgue um fracassado porque as coisas não têm dado certo para você. Quem sabe se não está sendo preparado para tarefa mais importante e de maior responsabilidade para o seu espírito, através das lutas e das quedas que tem levado?
O atleta treina muito antes de ser considerado em condições de enfrentar uma competição. Não desanime com as derrotas. Prossiga treinando e perseguindo seu ideal.
Assim você deve proceder. Perseverando sempre sem desfalecimento.
Algo talvez lhe falte para melhor aproveitamento nas suas investidas.
Se você se coloca na condição de autossuficiente, mesmo que às vezes faça uma prece, não se torna consciente dos planos de Deus. Não quer aceitar que não estamos aqui para obter aquilo que queremos, mas o que viemos buscar, e precisamos realmente fazer e aprender.
Não sabemos realmente o que buscamos, mas a nossa inabalável confiança na suprema sabedoria deve nos colocar sempre esperançosos e confiantes, certos de que se não nos acovardarmos, mas, ao contrário, colocarmo-nos sempre em ação, fazendo o que nos compete fazer, a coragem, a fé e a esperança nos sustentarão, não nos abandonando nunca, e a nossa luta será vitoriosa."
Cenyra Pinto

A LENDA DO AMOR...

Era uma vez, no início dos tempos, um mundo em que não existiam homens nem mulheres, apenas os sentimentos que vagavam pelo planeta.
Numa tarde de chuva, os sentimentos não sabiam o que fazer.
O Tédio só ficava bocejando. A Ternura, então, propôs brincar de esconde-esconde. Todos acharam uma ótima ideia. Quer dizer, nem todos, porque o Ódio disse: - Eu não. Eu não gosto deles.
A Verdade preferiu não se esconder. Para quê? De qualquer maneira ela sempre aparecia... A Sabedoria disse que isso era uma brincadeira de tolos. É claro. A ideia não tinha sido dela... E a covardia preferiu não se arriscar... Mas a Amizade disse: - Oh! Que coisa boa, estamos todos juntos.
E a Loucura quis ser o pegador, mas a Inveja foi logo dizendo: - Por que tem que ser ela, sempre ela? Só porque é louca???
Mas a Loucura a essas alturas já estava contando: 98, 27, 35, 44, 55, 63, ...
Enquanto isso os sentimentos começaram a se esconder um a um.
O Amor não sabia o que fazer. Resolveu se esconder atrás de uma roseira, mas pensou que, logo, logo a Loucura iria encontrá-lo.
Então, resolveu se enterrar entre as raízes da roseira.
Foi o tempo exato para que a Loucura terminasse de contar: - 25, 99, 1..., lá vou eu...
Mal abriu os olhos, quem achou ao seu lado?
A Preguiça, que não tinha saído do lugar.
Caiu um raio que iluminou o céu e um dos sentimentos que ainda tentava se esconder, ora atrás de uma árvore, ora atrás de outra... Quem era? A Dúvida.
Depois, de uma só vez, a Loucura encontrou dois, pois a Inveja, é lógico, tinha se escondido à sombra do Sucesso. Começou a sentir um cheiro horrível, nojento. Aproximou-se do lixo e encontrou a Injustiça. E assim ela foi encontrando, um a um, todos os sentimentos. Mas faltava o Amor. Procurava, procurava e não o achava. Então, a Traição aproximou-se e disse baixinho: - Está na roseira.
A Loucura não entendeu. A Traição falou mais alto: - Está no meio da roseira, entre as raízes da roseira.
A Loucura, mais louca do que nunca, aproximou-se da roseira e arrancou-a de uma vez. O Amor veio junto, só que com os olhos ensanguentados.
A loucura, desesperada, perguntou: - Amor, o que te fiz?
- Tu me cegaste.
- O que posso fazer por ti?
- A partir de hoje serás o meu guia.
E é por isso que, desde aquele dia, o Amor e a Loucura andam sempre juntos.

terça-feira, 2 de julho de 2013

SER TRANSPARENTE...

Ser Transparente...
Ás vezes, fico me perguntando por que é tão difícil ser transparente...
Ser Transparente...
Costumamos acreditar que Ser Transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros.
Mas "Ser Transparente" é muito mais do que isso...
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente...
Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as "máscaras", baixar as armas,...
Destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em nos empenhar para levantar...
Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde...
Mas, infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. 
Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana....
Preferimos o "nó na garganta" às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser...
Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar diante de Deus e admitir que não sabemos, que temos medo!
Por mais doloroso que seja ter de construir uma ‘máscara’ que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos e até do nosso Deus... preferimos assim: 
manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...
E assim vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos...
Não porque sejamos pessoas mentirosas!...
Mas porque, como folhas secas, nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado...
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar com os irmãos... doçura, compaixão... 
compreensão... de que todos nós sofremos e às vezes nos sentimos sós, 
imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir...
Num silêncio que nos remete à saudade de "nós mesmos"...daquilo que pulsa e grita dentro de nós, 
mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!
Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: "você está me machucando... Pode parar, por favor!"
Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro...
Quando, na verdade, se agíssemos deixando que a nossa razão ouvisse também o nosso coração, poderíamos evitar tanta dor... Tanta dor!...
Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis... Que consigamos tentar não controlar tanto, responder tanto, competir tanto... Mas confiar na Graça do Senhor Jesus Cristo , que nos basta...
"Não devemos ter medo dos confrontos.... Mas sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! "
A inteligência sem amor nos faz perversos.
A justiça sem amor nos faz implacáveis...
A diplomacia sem amor nos faz hipócritas.
O êxito sem amor nos faz arrogantes...
A riqueza sem amor nos faz avaro...
A pobreza sem amor nos faz orgulhosos...
A beleza sem amor nos faz fúteis. A autoridade sem amor nos faz tiranos.
"Ame, simplesmente ame!"
E quando, algumas vezes, NÃO encontramos as palavras adequadas para expressar o que sentimos; seja por timidez ou porque os sentimentos nos avassalam; 
nesses casos podemos contar com o idioma dos abraços...
A vida sem amor... não tem qualquer sentido!
"Ame, simplesmente ame!"
O trabalho sem amor nos faz escravos.
A simplicidade sem amor nos deprecia.
A lei sem amor nos oprime.
A política sem amor nos deixa egoístas.
A fé sem amor nos deixa fanáticos.
A cruz sem amor se converte em tortura.
"Lembrando que "a vida é tão curta e a tarefa de vive-la é tão difícil que quando começamos a aprende-la, já é hora de partir... " 
Sigamos na certeza de que....
TUDO PASSA...
Que consigamos docemente viver... Sentir... Amar... Ser Transparentes!...
…certo de que esse momento que você vive, seja ele de muita alegria ou de dor…
…Vai passar! e você deverá seguir em frente, sem olhar para trás, rumo à eternidade, sempre transparente, porque tudo passa, mas você é eterno...

Cantinho da Jana: Sorteio cantinho da Jana e Case Editorial

Cantinho da Jana: Sorteio cantinho da Jana e Case Editorial

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

EU QUERIA CHORAR... VOO DE AVE...RAMO DE FLORES...MAS VIVER...

Eu queria chorar pelos que não choram.
Eu queria chorar pelos olhos secos,
Pelos olhos que são fontes

Onde as mágoas se purificam e se libertam.

Eu queria chorar pelos corações feridos

E que sangram obscura e silenciosamente.

Eu queria chorar pelas almas mártires
Que estão invisivelmente entre nós.

Eu queria chorar pelos indiferentes

E pelos que escondem num sorriso

As decepções de uma incompreendida bondade.

Eu queria chorar pelas almas fechadas,

Pelas almas que são como os desertos

E que não conhecem a libertação das lágrimas!

Augusto Frederico Schmidt



Ah, quanta vez, na hora suave

Em que me esqueço,
Vejo passar um voo de ave
E me entristeço!

Porque é ligeiro, leve, certo
No ar de amavios?
Porque vai sob o céu aberto
Sem um desvio?

Porque ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invade
Um horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minh ’alma alheia

Um desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do voo suave
Dentro do meu ser.
[Fernando Pessoa, In: 'Cancioneiro', Obra Poética, p.138]

Ponho um ramo de flores
na lembrança perfeita dos teus braços;
cheiro depois às flores
e converso contigo
sobre a nuvem que pesa no teu rosto;
dizes sinceramente
que é um desgosto.

Depois,
não sei por que nem porque não,
essa recordação desfaz-se em fumo;
muito ao de leve foge a tua mão,
e a melodia já mudou de rumo.

Coisa esquisita é esta da lembrança!
Na maior noite,
na maior solidão,
vem a tua presença verdadeira,
e eu vejo no teu rosto o teu desgosto,
e um ramo de flores, que não existe, cheira!
Miguel Torga



Antes que a angústia desça é preciso partir
Não importa para onde, não importa para longe de quem
Ó como o mesmo céu sufoca e a mesma ventura mata!

Abandonar o corpo gasto de sol e a alma gasta de sono
Raspar os velhos sapatos na branca soleira da casa do tédio
E surgir como um animal morno de silencioso passo.

Nada a conhecer ...Sim, são verdes as montanhas
E quanta vaga expiação deixam os livros no pensamento
E acima de tudo existe Deus serenamente inacessível.

Mas viver, ah, viver é doloroso, é incompreensível
Não se sabe quando! ...não se sabe nunca... E quando se sabe
É para receber o golpe mortal da tragédia no mais fundo.
Vinícius de Moraes

A HISTÓRIA REAL DO CACHORRO BRANQUINHO

A história real de Branquinho, um cachorro que ensinou...
O texto é longo, mas vale a pena.
João é um dos seis empregados de nosso condomínio. Certo dia quando ele vinha para o trabalho percebeu que um cão seguia a seu lado. Julgou tratar-se apenas de uma coincidência e, portanto logo o cão tomaria outro caminho. Fazendo seu trajeto habitual João dobrou a esquina da Rua Santa Cecília, entrou por ela, virou à direita na Prefeitura e reparou que a “coincidência” permanecia ao seu lado.
Chegando ao condomínio João abriu o portão que dá acesso a uma pracinha interna, e nisto, mais rápido que o vento nordeste que soprava, o tal cão, sem ser convidado, penetrou no ambiente de nossa comunidade. Já era excesso de coincidência, a coisa estava mais para intencional.
Seguindo a sua rotina diária, João se dirigiu ao vestiário dos vigias, trocou de roupa, assinou o ponto e foi se encontrar com seu colega de turno, o Manuel. O cão, mesmo sem carteira assinada, sem se apresentar ao síndico, continuou seguindo João e, portanto cumprindo também seu horário de trabalho.
As 99 casas de nosso condomínio se espalham por três ruas, no espaço de um quarteirão, e são cobertas pelos seis vigias em turnos de 8 horas, com dois em cada turno. Naquele dia, no horário das 15 às 23 horas havia três vigias: João, Manuel e a “coincidência”. A amiga e vizinha Marly, sempre atenta a tudo que se passa, especialmente na rua do meio, a privativa, percebeu a cena e perguntou: --“E aí João, temos empregado novo?” Ato contínuo, sabendo que o cão ainda não tinha um nome, Marly tratou de batizá-lo: --”Pois daqui pra frente tu te chamarás “Branquinho”“.
O dia estivera lindo e a noite era premiada com a prata do luar. Um cenário apropriado talvez para a chegada de um “anjo”, sem asas é verdade, mas com uma cauda e ao invés de cânticos, latidos. Encerrado o turno de João, o cão seguiu com ele até sua casa. Branquinho já não era desempregado e nem “sem teto”, conseguira também um lar.
A rotina daquele dia voltara a se repetir nas semanas seguintes. Branquinho viera para ficar. Todos os moradores passaram a conhecer aquele simpático vira-lata que daí em diante gozou de uma mordomia sem limites. Ora alguém lhe oferecia o almoço, ora o jantar, às vezes um lanche fora de hora e Branquinho já exibia um flagrante excesso de peso. Mantinha sempre seu ar meio bonachão numa cara bonita e olhar de pidão.
Não negando a raça ele não suportava ver um gato transitando em sua área e aqui havia vários. Um dia assistimos a ele perseguir um gatão malhado que, mais ágil e mais leve, saltou um portão baixo para se refugiar na garagem de uma das casas. Branquinho mostrou não haver perdido a forma e venceu o obstáculo também. O gato subiu quase voando uma escadinha em caracol que levava ao segundo piso. Nosso herói, meio desengonçado, pois era um pouco mais largo que a escada, chegou em segundo lugar mas alcançou o piso mais alto.
O assustado felino fez peripécias, galgou o muro e o topo da casa pelo telhado. Após alguns minutos de silêncio surgiu meio que escorregando pelo telhado, todo atrapalhado, o amigo Branquinho. O gato praticara salto triplo e já pulara para mais três telhados adiante. Com um olhar assustado nosso herói, se pudesse falar, estaria gritando por socorro. João percebera tudo e já se apresentava como um bombeiro improvisado, segurando uma enorme escada, para retirar nosso desengonçado herói daquela situação humilhante.
A partir daquela noite, Branquinho surpreendeu com uma decisão inesperada: ao término do turno de João ele não se foi, preferiu permanecer no condomínio. Passamos a tê-lo em tempo integral. Ele dormia ora na minha porta, ora na de Marly, ora na de Celma, porém mesmo tarde da noite, a qualquer ruído estranho ou vulto que não reconhecesse Branquinho dava um alarme. Como não tinha apito, que nem os vigias da noite, latia mesmo. Tínhamos um “anjo-da-guarda” 24 horas por dia, que não nos cobrava férias, nem horas extras, nem fazia greve.
Em alguns fins-de-semana ele sumia, tirava “folgas” por conta própria, e no retorno de uma dessas escapadas percebemos que ele estava todo arranhado no rosto e na barriga. O olhar cansado também transmitia tristeza e dor. Teria ele se envolvido em briga com gangues de gatos?
Acabaram por nos chegar informações posteriormente de que Branquinho era um D. Juan canino, pois fora visto em altas transas noturnas por outras ruas próximas, em algumas delas, defrontando-se com ferozes e adestrados cachorros tipo dobermanns, pitbull etc., em defesa da cadela amada.
Era uma segunda-feira ensolarada quando a amiga Marly o chamou e pediu que lhe desse as patas dianteiras. Branquinho, que também era um “cavalheiro”, aquiesceu e logo começaram suas primeiras aulas de dança. Ao som de um bonito samba-canção (Marly tem um bom gosto musical) lá estava o nosso vigia-extra a mostrar mais uma de suas habilidades.
Tínhamos então um cão, um vigia, um conquistador e um dançarino, que a partir daquele dia, ao ver minha mulher, ou Celma, ou Marly logo levantava as patinhas dianteiras e as convidava a dançar. Curioso que ele nunca tomava essa atitude comigo ou qualquer outro morador que fosse homem. Bolas, não vou chegar ao extremo de dizer, como certo ex-ministro, que “cachorro também é gente”, claro que não, mas Branquinho às vezes mostrava uma certa sensibilidade e perspicácia quase racionais.
Dizem que “não há bem que sempre dure…” infelizmente isto se confirmou o dia em que nosso “anjo-da-guarda” canino apareceu novamente todo arranhado e com o olho direito bem machucado. Levado a uma clínica veterinária, duas más notícias foram anunciadas: Branquinho ficara cego da vista direita e era portador de uma doença, das classificadas como incurável. Ao seu retorno já não era o mesmo, nossos carinho e desvelo aumentaram procurando compensar seu sofrimento.
Mas, como “não há duas sem três”, expressão muito usada por um radialista português, certo dia Branquinho foi atropelado perto do condomínio. O destino estava sendo muito cruel com um cão verdadeiramente amigo pra cachorro.
Algum tempo depois, já recuperado deste último trauma, mas carregando a doença que lhe extraía a vida aos poucos, Branquinho chegou ao condomínio em companhia de uma linda, simpática e malhada cadelinha. Antes que a apresentasse aos moradores já Bárbara, uma menina de 13 anos, a batizou de “Filé”, isto porque ela, a menina, nunca dispensava um bom e suculento bife. Lógica? Claro que nenhuma, mas o nome “pegou” e ficou.
Durante algum tempo os dois passaram a patrulhar juntos nossas ruas sem que jamais tivéssemos descoberto se eram apenas bons amigos ou … não importa. O que vem ao caso é que umas três semanas depois percebemos a ausência de Branquinho. “Poderia ser mais alguma de suas conhecidas ‘escapadas”, mas não, ele realmente se fora nas caladas de uma noite sem luar. As semanas passaram e conosco ficara apenas a lembrança do bom amigo, tanto em nossas mentes quanto na presença física de Filé.
Claro que Branquinho, sentindo aproximar-se o seu fim, pode ter preferido morrer longe de nossos olhos. Seria um tremendo absurdo eu aceitar que ele tomara aquela decisão “conscientemente”, mas, por outro lado, o que é mais absurdo, um cão, com seu instinto, na “tendência ingênita dos animais” ter-nos dado mais uma lição de racionabilidade ou tantos seres, ditos racionais, provocarem guerras por interesses políticos, por motivos religiosos ou por simples anseios de dominação, do exercício de um poder absoluto, ou mesmo não se sensibilizarem com a indigência de centenas de milhões de outros seres humanos, hoje já totalizando um sexto da população mundial, que sobrevivem à míngua do que o resto da humanidade atira ao lixo?
(Branquinho realmente existiu, a história é verídica, os personagens citados também e Filé ainda permanece em nossa comunidade)

Crônica de Francisco Simões


"Vês estas mãos?

                                                                Imagem: Diego Rivera


"Vês estas mãos?
Mediram a terra, separaram os minerais e os cereais,
fizeram a paz e a guerra, derrubaram as distâncias
de todos os mares e rios,
e, no entanto, quando te percorrem a ti,
pequena, grão de trigo, andorinha,
não chegam para abarcar-te,
esforçadas alcançam as palomas gêmeas
que repousam ou voam no teu peito,
percorrem as distâncias de tuas pernas,
enrolam-se na luz de tua cintura.
Para mim és tesouro mais intenso de imensidão
que o mar e seus racimos
e és branca, és azul e extensa como a terra na vindima.
Nesse território, de teus pés à tua fronte,
andando, andando, andando, eu passarei a vida."
Pablo Neruda